A Mulher Esquecida

Gênesis 29 conta a história comovente da família de Jacó. Tendo irritado seu irmão, Esaú, Jacó fugiu para Harã, o lar ancestral de sua mãe. No poço, ele conheceu a linda Raquel e se conectou com seu clã. Foi amor à primeira vista. Em contraste com sua irmã Lia, que tinha olhos cansados, Raquel tinha uma forma adorável. Jacó negociou com Labão, seu tio, pela mão dela em casamento. Labão parecia concordar com o casamento em troca de sete anos de trabalho.

Cheio de anseios intensos por Raquel, Jacó exigiu sua esposa no primeiro momento. Labão ofereceu um grande banquete. Ao cair da noite, depois de um dia de celebração e folia, Labão trouxe sua filha Lia, para Jacó, que supôs que ela fosse sua amada Raquel. Em sua tenda, sob o manto da escuridão, Jacó consuma seu amor, caindo no sono nos braços de sua nova noiva. “De manhã, eis que era Lia!” (v. 25).

Para viver com discernimento, devemos entender esta verdade: de manhã, é sempre Lia. Ninguém jamais expressou isso melhor do que CS Lewis em Cristianismo puro e simples: “Os anseios que surgem em nós quando nos apaixonamos pela primeira vez, ou quando pensamos em algum país estrangeiro, ou primeiro abordamos algum assunto que nos excita, são anseios que nenhum casamento, nenhuma viagem, nenhum aprendizado, pode realmente satisfazer.

(…) Sempre há algo que nos apegamos. Sempre há algo naquele primeiro momento de desejo, mas desaparece na realidade. O cônjuge pode ser um bom cônjuge. O cenário está excelente. Acabou sendo um bom trabalho. Mas isso nos escapou. De manhã é sempre Lia. Esta é uma imagem incrível do evangelho. Lia vivia como uma mulher não amada à sombra de sua linda irmã, mas Deus teve misericórdia dela e abriu seu ventre. Lia, esta mulher não amada, deu a seus primeiros três filhos nomes que refletiam seus anseios não correspondidos pelo marido. No entanto, algo maravilhoso aconteceu com ela entre o terceiro e quarto filho. Ela começou a refletir a sabedoria que é a lição desta história. Ser amado ou ter sucesso nunca nos permitirá florescer como seres humanos. É apenas Deus quem satisfaz nossos anseios mais profundos. Lia não conseguia encontrar vida sendo vista (Rúben), ouvida (Simeão) ou ligada (Levi) a Jacó. Quando o quarto filho nasceu, ela disse: “Desta vez louvarei ao Senhor” (v. 35). Então ela chamou aquele filho de Judá, que soa como a palavra hebraica para “louvor”.

Esta mulher esquecida é uma imagem de como a graça chega aos esquecidos e não amados. No amor de Deus, Lia se tornou ancestral do Leão da tribo de Judá, o Senhor Jesus, a quem pertence a obediência das nações.

Assim também ocorre com as mães que são mulheres sem nome, por vezes esquecidas, mas amadas por um Deus que nunca abandona seus filhos.

Feliz dia das mães, mulheres valorosas.

 

Autor: Rev. Evandro Modesto de Pinho

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on reddit
Share on tumblr
Share on skype
Share on telegram
Share on email
Share on print

© 2019 | Escola Presbiteriana Erasmo Braga

Fone: (67) 3421-5305
Rua João Rosa Góes, 703 – Centro – Dourados, MS